Arquivo para janeiro, 2009

Nem Anjos, Nem demônios!!

Posted in Formação on 22/01/2009 by Juliana

julgarCerto dia eu estava conversando  com uma pessoa, fazia certo tempo que não a via. Num determinado momento da conversa ela me disse que estava meio afastada da Igreja. Acreditava em Deus, mas não frequentava mais a Igreja como antes.

                 Deu-me várias desculpas, mas logo percebi o porque. Estava estudando, fazendo faculdade, trabalhando, e quando começamos a estudar mais a fundo, trabalhamos, e vamos amadurecendo, acabamos por adquirir uma forma de olhar as coisas mais sériamente, mais criticamente, e isso muitas vezes gera em nós muitos questionamentos.

                     Percebi que essa pessoa se frustrou por olhar as pessoas com um olhar critico de mais, meramente racional, sem ir a fundo nos sentimentos, no meio, no que leva as pessoas a agirem como agem.

                     Quando buscamos servir à Deus, devemos ter um certo equilibrio na nossa forma de ver as coisas, nem tanto coração, nem tanto razão, mas agir com discernimento. Não devemos ser omissos, quanto a nossa criticidade, mas não devemos usar somenta da razão, pois estariamos somente julgando o outro, sem nos preocuparmos com as suas reais intenções, olhariamos apenas a atitude em si, que nem sempre é a correta. Mas é necessário olharmos todo o conjunto, razão e emoção. Porque a “pessoa” age como age, e qual o sentimento que motivou tal atitude. Mas não devemos fazer isso como um julgamento, e sim como uma forma de justificar os fatos, pois o único que pode julgar e condenar alguém é Deus. Só Ele tem acesso a totalidade da pessoa, só Ele sabe realmente o que se passa com cada um, e só Ele julga corretamente. Todo julgamento humano está sujeito ao erro, mas o julgamento de Deus é verdade e é justo.

                     Ela desabafou, disse que se afastou por ver tanta coisa errada, tanto julgamento, tantas mentirar, até mesmo dentro da Igreja . Pessoas que se consagram a Deus, mas muitas vezes agem de forma equivocada, com mentiras etc.

                   Eu disse a ela: ” você analisa dentro da Igreja Católica, dentro da Igreja Evangélica, dentro do meio ateu, nas seitas, e em todos os lugares que você conseguir, e me diga, em qual destes lugares, as pessoas estão isentas de erros?”

                   Isso não existe aqui, isso é só para o céu, depois de uma luta ardua contra tudo isso, mentiras, julgamentos, perseguições, etc. Pessoas estão sujeitas ao erro, todos estamos, não existe um ser humano perfeito na terra, geralmente eles são muito perseguidos, caluniados, injustiçados, e são chamados de santos, mas ainda assim, somente depois que morrem, e também não significa, que enquanto viveram não cometeram erros, pelo contrário, quantos deles tiveram uma vida desregrada até que se converteram. Mas depois da conversão viveram heróicamente buscando sua santidade a cada dia, com o auxilio de Deus. Pois sem as graças especiais de Nosso Senhor, creio que seja impossivel alcançarmos a santidade.

                   Lógico que ao vermos a “Igreja” devemos tomar cuidado e termos um certo discernimento ao questionarmos. Não vamos sair por aí questionando os dogmas, mas tem coisas que não só podemos questionar, como devemos, a Igreja está aberta à isso, pois muitas respostas que obtemos ao questionarmos a Igreja podem e são meios de fortalecermos a nossa fé.

            Não devemos nos anular, eu mesma, gosto de olhar tudo com uma certa criticidade, mas não vou sair por ai julgando e questionando, sem antes tentar ver qual a intensão real, a motivação.

           Os homens só erram, porque não escutam a voz de Deus que fala dentro deles. E todos nós podemos escolher ouvir ou não ouvir essa voz.

                      Mas a essencia da nossa conversa foi essa, ninguém, nenhum ser humano está isento de erros. Afinal é a forma como se encara, se reage aos julgamentos, mentiras e até as perseguições que sofremos, que nos fazem amadurecer na fé e crescer nas virtudes.

                  Muitos Santos só se tornarão santos, porque souberam suportar com paciência todas as perseguições. Pe Pio fi perseguido durante 50 anos pela Igreja, um Padre que tentou durante 50 anos provar a todo custo a fraude de seus estigmas. Santa Teresinha do Menino Jesus foi perseguida por outra Irmã do mosteiro, o mesmo com Santa Faustina e tantos outros santos.

                  Isso serve para vermos que não importa para onde corramos, aqui na terra sempre haverá alguém para nos “santificar”…rsrs..seja no trabalho, na comunidade, na escola, não importa, todos estamos sujeitos a isto, tanto em sermos perseguidos, mas também de perseguirmos os outros. Quantas vezes, mentimos ou fofocamos sobre a vida alheia, quantas vezes julgamos as pessoas sem sabermos o que realmente aconteceu, em fim, não somos anjos mas também não somos “demônios”, busquemos a nossa santidade, sem ferirmos o outro com nossa falta de caridade, sigamos o exemplo do Mestre.

A escolha é sempre nossa, podemos ouvir e responder atentamente a voz de Deus que fala dentro de nós, ou podemos fingir que não a ouvimos!

A escolha é SUA!

BOBOS FELIZES??

Posted in Formação on 14/01/2009 by Juliana
 
 

 

“O hábito não faz o monge”, diz o provérbio, mas sem dúvida chama um pouco, ou muita, atenção. Talvez uma criança curiosa nos tenha incomodado com perguntas inocentes querendo saber: por que é que aquela pessoa estava vestida daquela maneira? Claro que podemos sair da pergunta com uma resposta curta: é uma freira, é um frade. E se a criança insistir, desejando saber mais, saberíamos responder à altura e com gosto? Ou responderíamos um “deixa lá”, equivalente a não saber ou ao não querer responder?

Tenho a certeza: digam o que quiserem, finjam não ver, ignorem a presença deles e delas, mas os religiosos e as religiosas chamam a atenção. Não porque queiram isso. Mas, ou por usarem o hábito, ou pela sua forma de ser, obrigam-nos a perguntar porque é que eles e elas escolheram aquela forma de viver. Por quê?

Insisto sobre os questionamentos pelo facto de a vida religiosa também ter mudado. A freira que anda pelas casas do bairro pobre, é formada em pedagogia e está a estudar ciências sociais. O monge, que abre a porta do convento e acolhe os mendigos, é mestre em letras pela PUC de São Paulo. O frade que anda de bicicleta, que foge os buracos e da lama, é advogado. A irmãzinha, que está com as crianças na creche, é enfermeira diplomada e continua a estudar medicina à noite. O irmão, que está no acampamento dos sem-terra, é doutor em teologia. E assim poderíamos continuar.

Quem tem uma imagem dos irmãos e das irmãs como de “coitadinhos” meio perdidos e fora do tempo, está muito enganado. Não somente porque eles e elas, hoje, estudam mais, mas porque continuam a saber muito bem o que querem. Eles têm um grande projecto de vida. Querem ser felizes vivendo o Evangelho. Querem contribuir com a sociedade de hoje, seguindo as pegadas de Jesus Cristo.

Se a vida religiosa podia parecer, no passado, um refúgio para ter uma “certa” tranquilidade, ou uma fuga por medo das coisas perigosas do mundo, hoje é exactamente o contrário. Vida religiosa não é para pessoas fracas. É cada vez mais exigente. O celibato para o Reino de Deus e a virgindade consagrada, dizem, são coisas para sexualmente frustrados. A pobreza é considerada excesso de loucura e inaptidão administrativa. A obediência, uma inútil inibição dos projectos pessoais, uma afronta à liberdade individual. Essas coisas são loucuras, claro, mas só para os acomodados, os que ficam alucinados e iludidos pelas coisas do mundo, para os que adoram encontrar defeitos nos outros e só sabem criticar. Por isso, a vida religiosa sempre será questionada e sempre chamará a atenção. O caminho é difícil e a porta estreita. É preciso empurrar para entrar, não é para todos.

Se não entendemos tudo isso, ou não sabemos responder bem às perguntas acima, tenhamos ao menos o bom senso de não falar à toa e, quem sabe, aprendamos a agradecer a essas pessoas, que pagam com a própria vida as suas escolhas. Se não fosse assim, a Irmã Dorothi não teria morrido. O Padre Bossi, do PIME, não teria sido sequestrado, lá nas Filipinas. Os religiosos e as religiosas podem ter muitos defeitos, como todos, mas não são nem estúpidos, nem ingénuos.

A chamada crise da vida religiosa pode ser pela quantidade, com certeza não é pela qualidade. Talvez aos jovens, hoje, falte coragem. Estão a ser vencidos pelo medo de seguir, até ao fim, o projecto de Jesus. Sentem medo de parecer diferentes ou de incomodar aos outros; de começar a mudar a história, mudando a própria vida. Por isso Jesus repetiu tantas vezes aos discípulos: não tenham medo… E o repete ainda em nossos dias. Para nós todos.

Dom Pedro José Conti

Bispo de Macapá- Brasil

Em Busca da Felicidade

Posted in Formação on 13/01/2009 by Juliana

forest1Caminhar por este “vale de lágrimas” nem sempre é fácil, mas no final, quando de fato buscamos a vontade de Deus, é sempre gratificante.

                   Conversando com uma Irmã que conheci ressentimente, sobre vocação, a angustia das incertezas de quem está buscando, discernido, ela me disse algo que gostei muito:

” Não há um caminho melhor, há a busca, a tentativa de ficar bem no caminho, não importa qual ele seja. A vida humana tem sofrimentos e alegrias, mas tem gente que só quer as alegrias, sem lembrar que sofrer faz parte da nossa vida, é intriseco a natureza humana, pois só superando o sofrimento crescemos.

Nunca encontraremos um oásis de paz nesta terra, isso é para o céu, depois de uma grande luta aqui na terra. Então o que prevalece em nossa vida, seja qual for o caminho, a escolha de vida, é a “paz no conflito”. Isso em qualquer lugar, deve ser uma conquista, pessoal e comunitária.”

                      Acabei percebendo que se rezamos, discernimos, e a medida que caminhamos Deus vai nos confirmando no seu caminho, nossa vocação, então abraçar essa vocação a qual Deus nos chama, é dar um passo na fé, sem garantias, somente confiando de que tudo o que nos motiva é de fato  fazer a vontade de Deus.

                     Os sofrimentos, as dificuldades virão, em qualquer lugar que estejamos, mas quando buscamos a vontade de Deus, na nossa vocação, quando essa hora chegar devemos ser perseverantes, é fácil desistir  na primeira queda, nossa luta deve ser caminhar sempre em frente, mesmo em meios aos sofrimentos. Penso que a perseverança é um traço dessa “paz no conflito”, pois se mesmo nas adversidades buscarmos caminhar, seguir em frente, e isto nos deixar em paz ainda que soframos, é porque aquilo que buscamos e fazemos está em Deus.

                    Por isso hoje, eu exorto você vocacionado, você que passa por um tempo de discernimento, que nem sempre é fácil, pelo contrário, como diz Santo Agostinho: “meu coração está inquieto até que repouse em Deus.” E até que encontremos a vontade de Deus em nossa vida, teremos estas inquietações, pois só seremos felizes quando encontrarmos a vontade de Deus para nós. Então peça para sua vida, para o seu discernimento as luzes do Espírito Santo, que Ele te ilumine, e não se aflija quando o sofrimento vier, pois é esta luta, esta disposição que nos faz amadurecer na fé.

                   Não existe um lugar perfeito, nem pessoas perfeitas, nem comunidades perfeitas, sempre teremos nossas diferenças, é preciso aprender a lidar com essas diferenças, respeitando as nossas limitações e as dos outros, e buscar sempre sermos melhores hoje do que fomos ontem. É preciso estar sempre atentos aos sinais que Deus nos dá, ter um olhar atento a tudo e principalmente conosco mesmo.

                Se mesmo no conflito, no sofrimento, no coração estivermos em paz, saberemos que é da vontade de Deus, ainda que seja a paz inquieta.

Não desista da sua busca a vontade de Deus, ” Quem procura, encontra. E a quem bate a porta, abrir-se-vos-a.”

 

Lutar sempre, Desanimar Nunca

 

Deus lhe abençoe