Um Pouco Sobre o Amor e os apetites da Alma

                                                                                                                                                                                       “Assim como a posse do bem alegra o coração a vitória contra o mal sacia a coragem. E sobre todo esse povo das paixões sensuais, a vontade mantém o seu império, rejeitando-lhes as sugestões, repelindo-lhes os ataques.

           É a fim de exercitarmos nossas vontades na virtude e valentia espiritual que essa multidão de paixões é deixada em nossas almas.

          Todas as paixões “partem” do amor como sua fonte raiz! É por isso que as outras paixões e afetos são bons ou maus, viciosos ou virtuosos, conforme é bom ou mau, o amor de que procedem, pois ele derrama de tal modo as suas qualidades sobre elas, que elas parecem não ser senão o mesmo amor.

           O Amor, tendendo a possuir o que ele ama, chama-se cobiça ou desejo, tendo-o e possuindo-o chama-se alegria; fugindo ao que lhe é contrário, chama-se temor; e se isso que lhe é contrário lhe acontece e ele o sente, chama-se tristeza; e portanto essas paixões são más  se o amor é mau; boa se o amor é bom.

           A reta vontade é o amor bom, a vontade má é o amor mau; ou seja, o amor domina de tal forma na vontade, que a torna tal qual ele é.

             A mulher geralmente converte-se  a sua condição na do marido, torna-se nobre se o marido é nobre, Rainha se o marido é rei. A vontade muda também de qualidade segundo o amor que esposa: se ele é carnal, ela torna-se carnal; espiritual se ele é esperitual.

           A vontade só é movida pelos seus afetos, entre os quais o amor é o primeiro, e o primeiro afeto dá impulso a tudo o mais, e faz todos os outros movimentos da alma.

(TRATADO DO AMOR A DEUS – SÃO FRANCISCO DE SALES)

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