Vi Deus num homem

O agir deve traduzir nossa crença

Às vezes, pergunto-me como testemunhar a fé neste mundo e agir do jeito que Jesus agiria em meu lugar? Ou seja: como ser sal da terra e luz do mundo, ser cristã?

 

Estes dias encontrei um depoimento que me ajudou a responder algumas interrogações como essas. Dizia o texto que o cristão deve ser homem que supere as incertezas e as dúvidas e que – através de uma profunda união com Deus – receba a força necessária para em meio às controvérsias dos tempos, não se deixar levar por elas e assim, imprimir neste mundo a face de Cristo. Para tanto, ele precisa ser um homem em paz consigo, com os outros e com Deus. Deve ser comprovado em sua vida interior e nas virtudes em meio às lutas diárias, já que a fé é, diretamente, ligada às obras.

 

Isso parece difícil e, na verdade, o é, porém, acredito que fica mais fácil compreender quando afirmo que ser cristão é viver bem a cada momento da vida.

 

Conhecer, amar e viver são realidades inseparáveis na vida do homem. O encanto pelas belezas da vida e sua disposição em viver o momento presente – colhendo o bem maior em todas as coisas – faz com que ele seja um verdadeiro artista e mestre na arte de viver, sendo cristão, sal da terra e luz do mundo como nos pede o Senhor.

E o testemunho quanto à fé sempre vai além das palavras. Quando o momento não é oportuno para falar, o agir deve traduzir nossa crença.

 

Recordo-me de uma situação que vivi há um tempo atrás. Era recém-chegada no trabalho e os colegas, sem me conhecer, mantinham certa reserva, pois sabiam que sou cristã e temiam talvez que eu lhes pregasse sermões. Até que um dia a faxineira faltou ao serviço e eu limpei nossa sala. Fiz isso por amor à minha vida e à deles, pois, sinto-me muito melhor em lugares limpos. Eles sentiram-se tão amados com o gesto, que nunca mais nosso relacionamento foi o mesmo. Não precisei dizer nada sobre minha fé, mas o tempo foi passando e, ao fim de três anos, quando precisei ser transferida do trabalho, fiquei admirada ao ouvir alguns testemunhos emocionados que diziam o quanto tinham se aproximado de Deus convivendo comigo. Certamente não é um mérito só meu, é também seu e de cada um de nós que ousadamente seguimos as palavras de São Paulo, que nos pede que traduzamos nossa fé em obras.

 

Há uma “historinha” que expressa bem o que quero dizer com isso. Conta-se que em Paris, alguns acadêmicos críticos e maliciosos, informados da vida e atividades do Cura d’Ars e das inúmeras pessoas que iam visitá-lo em peregrinação, estavam incomodados com sua fama e combinaram que um deles fosse até a Aldeia de Ars a fim de observar os fatos em segredo. Depois, teriam motivos de sobra para suas zombarias e inclusive provas para desmascarar aquele que eles julgavam ser um enganador do povo. Conforme combinado, um deles foi escolhido para ir até o local. Voltando, permaneceu calado e pensativo, havia mudado completamente seu comportamento. Quando cercado pelos amigos, que o enchiam de perguntas curiosas e indiscretas, ele apenas respondeu: “Calai-vos, irmãos, eu vi Deus num homem!”

 

É que a vida de quem viu Deus, seja como for, toma nova direção. Constatamos isso em diversas passagens da Sagrada Escritura, fato que não mudou com a modernidade de nossos tempos.

 

Que nosso testemunho de vida cristã leve muitos a contemplar a Deus em nós.

 

 Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com
Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal Trabalha na Rádio CN FM 103.7

20/08/2008 – 08h00

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