O Espírito Sopra Onde Quer

                                                                                     

               Deus está em toda a parte e nunca nos deixa. No entanto, Ele parece, umas vezes presente, outras ausente. Se não O conhecemos bem, não percebemos que Ele nos pode ser mais presente em Sua ausência do que em Sua presença.

               Deus tem duas espécie de ausência. Uma é a que nos condena; a outra a que nos santifica.

               Na ausência que condena, Deus “não nos conhece”, visto que pusemos um outro deus no Seu lugar. Na ausência que santifica, Deus esvazia a alma de toda a imagem capaz de converter-se em ídolo e de cada interesse que poderia ser obstáculo entre a alma e Deus.

               Os que amam só a presença aparente de Deus não podem seguir aonde quer que Ele vá. Eles não O amam perfeitamente se não consentem na Sua ausência.

             Deus aproxima-se do nosso espírito ao afastar-se dele. O Senhor viaja em todas as direções ao mesmo tempo. O Senhor chega de todos os lados ao mesmo tempo.

            Cada homem torna-se a imagem do deus que ele adora.

            Quem adora uma coisa morta, converte-se em coisa morta.

            Quem ama a corrupção, fica pobre.

            Quem ama uma sombra, transforma-se em sombra.

            Quem ama coisas perecíveis, vive no medo da sua perdição.

            O contemplativo, que procura  guardar Deus prisioneiro em seu coração, torna-se também prisioneiro dos estreitos limites do seu coração.

            O homem que deixa ao Senhor a liberdade do Senhor, adora-O em sua liberdade e recebe a liberdade dos filhos de Deus.

            Sois o Deus forte, o Santo, o Justo, poderoso e discreto na Vossa bondade, escondido de nós a Vossa liberdade, a dar-nos amor sem limites, para que recebendo tudo da Vossa liberdade, possamos conhecer que só Vós sois Santo.

           O sábio lutou para ver em Vós a Sua sabedoria, e não conseguiu. O justo esforçou-se por vos compreender em sua justiça, e se perdeu.

           Mas o pecador, subitamente tocado pelo raio de misericórdia que devia ter sido da justiça, prostra-se em adoração diante da Vossa santidade, pois ele viu o que reis desejaram ver e não viram. Ele viu que o Vosso amor é tão infinitamente bom que não pode ser objeto de contrato humano.

        todo verdadeiro filho de Deus é manso, perfeito, dócil e solitário.   

(Thomas Merton)

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