Misericórdia

      “CUM VERE INFIRMOR, TUNC POTENS SUM” [ Quando sou fraco então é que sou forte] (I Cor 2,10)

                                                           

           É a nossa fraqueza que nos abre os céus, porque nos atrai a misericórdia de Deus e lhe conquista o Amor. A nossa infelicidade é a raiz de nossa alegria. Até o pecado representou um papel involuntário na salvação dos pecadores, pois a infinita bondade de Deus não se pode impedir de tirar o maior bem do maior mal.

             O amor de Cristo por nós e a misericórdia de Deus destruíram o pecado, tomando sobre si todas as nossas faltas e apagando o preço devido por elas.

            O conceito Cristão de misericórdia é, portanto, a chave da transformação de todo um universo em que o pecado ainda parece reinar, porque o cristão não escapa do mal, nem é dispensado de sofrer, nem, ainda é liberto da influência e dos efeitos do pecado. A sua vocação, todavia, é de livrar do mal o mundo inteiro e de transformá-lo em Deus: pela oração, pela penitência, pela caridade, sobretudo, pela misericórdia.

            Alguns são apenas virtuosos o suficiente para esquecer que são pecadores sem se sentirem infelizes o suficiente para lembrar quanto necessitam da misericórdia de Deus.

            Qual é o valor de uma vida virtuosa se ela é sem amor e sem misericórdia? O amor é o dom misericordioso de Deus à tristeza humana!

              É desejando a misericórdia de Deus que devemos reconhecer-lhe a santidade! Buscar-lhe a piedade, quando não merecemos nenhuma, é pedir-lhe que seja justo, de uma justiça tão santa que não conhece o mal e se mostra misericordiosa com todo aquele que não foge d’Ele em desespero.

           Perfeita esperança na bondade de Deus é a prerrogativa dos que mais se aproximam da sua santidade.

         A misericórdia de Deus está a nossa disposição quando a quisermos, basta-nos ser misericordiosos com os outros. Pois é a bondade de Deus que age através de nós quando nos leva a tratar o próximo como Ele nos trata.

         Só podemos chegar ao céu morrendo na cruz pelos outros. E ninguém morre na cruz por suas próprias mãos. Precisa de um carrasco que ajude. É preciso morrer por aqueles cujos pecados nos matam, e que também morrem, apesar das nossas boas intenções, por causa dos nosso pecados.

       Se a minha compaixão é autêntica, se for um profundo sentimento do coração e não uma questão formal, então minha compaixão pelos outros é a misericórdia de Deus em mim.

        A misericórdia de Deus não suspende as leis de causa e efeito. Quando Deus me perdoa um pecado, destrói a culpa desse pecado, mas permanecem os seus efeitos e punição. É, contudo, na punição mesma do pecado que a misericórdia de Deus mais claramente se identifica com a sua justiça.

          O amor é o maior dom de Deus aos homens. A caridade é a nossa mais alta perfeição e a fonte de toda a nossa alegria. Ela é o livre dom da misericórdia.

         Quer conhecer a Deus? Aprenda a compreender as fraquezas e imperfeições dos irmãos. 

         Mas como você pode reconhecer a fraqueza alheia se não reconhece a própria?

        Como pode ver o sentido das próprias limitações se não recebeu de Deus a misericórdia que lhe dá o conhecimento d’Ele e de si mesmo?

         Não basta perdoar: É preciso perdoar com humildade e compaixão. Perdoar sem humildade é um escárnio, que nos supõe melhores do que os outros.

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