A Medida da Caridade

             

Na economia da caridade Divina, nós só temos à medida que damos, mas a nossa vocação é para dar tudo quanto temos, e ainda mais, tudo o que nós somos.

             A caridade é a vida e a riqueza do reino de Deus.

            Se eu amo o meu irmão com um perfeito amor, vou querer vê-lo livre de todo amor que não seja o amor de Deus. De todos os amores, só a caridade não é possessiva, porque só ela não deseja ser possuida.

          A caridade procura o maior bem do amado, e não há maior bem do que a caridade. Enquanto imperfeita a caridade ainda sente temor: tem medo de não ser ainda perfeita. Nenhum esforço da nossa parte pode tornar perfeito o amor. O dom da nossa caridade não é perfeito enquanto Deus não estiver pronto a aceitá-lo.

          Tendemos a identificar-nos com aqueles que amamos, mas não há verdadeira intimidade entre almas que não sabem respeitar a sua mútua solidão. Não posso unir-me a outra pessoa cuja personalidade o meu amor tende a ofuscar, absorver e destruir.

           Se conhecemos a Deus, a nossa identificação com os que amamos será modelada por nossa união com Deus e lhe será subordinada.

          Não há verdadeiro amor senão em Deus, que é a fonte do nosso ser e do ente amado.

          Somos obrigados a amar-nos uns aos outros. Não somos estritamente obrigados a “gostar” uns dos outros. O amor governa a vontade, ao passo que gostar é uma questão de sensibilidade. Se, contudo, amamos realmente os outros, não será também difícil gostar deles.

           Há uma diferença entre amar os homens em Deus e amar a Deus nos homens. Os dois amores  são a mesma coisa: são caridade, que tem Deus por objeto e que, nos dois atos, O antinge diretamente.

           Toda a caridade converge para Cristo, porque a caridade é a Sua vida em nós.

           É desejando crescer no amor que recebemos o Espírito Santo, e o efeito dessa comunicação mais abundante é a sede de maior caridade.

         O desejo de caridade é mais do que uma fome cega da alma. 

         Somos salvos pela esperança daquilo que não vemos e que aguardamos com paciência.

 

(Trecho do Livro de Thomas Merton, baseado na poesia de Jonh Donne “Homem Algum é uma ilha em Si mesmo” )

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