Vocação Monástica

                                                   

       Se o Padre, de algum modo, pode ser definido pela necessidade que têm os outros homens de sua ação santificante no mundo, isso é menos evidente num monge.

    A vocação dá testemunho da infinita transcêndencia de Deus, porque proclama em face do mundo que Deus tem o direito de separar alguns homens para que eles possam viver somente para Ele.

     A essência da vida monastica é justamente esse abandono do mundo e de todos os seus desejos, ambições e interesses, a fim de viver não só para Deus, mas de Deus e em Deus, e não por alguns anos, mas para sempre!

    A graça que chama um homem para o mosteiro exige mais do que uma transposição material de ambiente. Não há vocação monástica autêntica que não implique, ao mesmo tempo, uma completa conversão interior.

     A caracteristica essencial de uma vocação monástica é que ela atrai o monge para a solidão, para uma vida de renúncia e de oração, para procurar só a Deus. Onde faltam esses traços, a vocação pode, sem dúvida, ser religiosa, mas não é propriamente monástica.

     A conversão interior que constitui o monge mostra-se externamente por certos sinais: Obediência, Humildade, Silêncio, Desprendimento, Modéstia, que podem resumir-se numa só palavra: PAZ!

   O mosteiro é uma casa de Deus, por conseguinte, um santuário da paz. A vida monástica arde diante de Deus invisível comouma lâmpada defronte do tabernáculo. A mecha da Lâmpada é a fé, a chama é a caridade,e o óleo que alimenta a chama, é o sacrifício de si mesmo.

    De todas as ordens religiosas, as ordens monásticas são as que possuem as mais antigas e monumentais tradições. Ser chamado a vida monástica é ser chamado a uma forma de santidade, enraizada na sabedoria de um distante passado e no entanto, viva e jovem.

     Poderiamos melhor compreender a beleza da vocação religiosa se nos lembrássemos de que o casamento, é também vocação. A vida religiosa é uma forma especial de santidade, reservada comparativamente a poucos.

    O caminho ordinário de santidade e de plenitude da vida cristã é o casamento. É no estado conjugal que em sua maioria os homens e as mulheres se tornarão santos. Os pais cristãos, se são fiéis as suas obrigações, cumprirão uma missão tão grande quanto consoladora: a de trazer ao mundo e formar almas jovens, capazes de felicidade e de amor, almas capazes de santificação e de transformação em Cristo.

   Deus quis que em todas as vocações se manifestasse o seu amor no mundo. A diferença entre as vocações reside na diversidade dos meios que cada uma dá aos homens para descobrir o amor de Deus. Cada vocação tem por objetivo propagar a vida divina no mundo.

                                                                        

           Na vida contemplativa, os problemas e as dificuldades são mais interiores e também muito maiores. Aí,o divino amor é menos encarnado. Em uma vida de solidão e silêncio, os afetos humanos não recebem muito da sua normal satisfação.

    A ausência quase total de expressão pessoal, a frequente impossibilidade de fazer coisas por outros pode levar a grandes decepções. Eis a razão pela qual a vocação puramente contemplativa não convém a quem não é maduro. É preciso ser muito forte e muito sólido para viver na solidão.

    Quanto mais alto subimos na escala das vocações, tanto mais cuidadosa deve ser a seleção dos candidatos. Normalmente, mais da metade dos que se apresentam à admissão nos mosteiros contemplativos não tem vocação.

          Quanto mais estrita e solitária uma ordem contemplativa, tanto maior será o Hiato entre atração e aptidão. Nigué pode suportar à vida à parte se o seu desejo de “solidão” é formado por um desejo recalcado de afeto humano. É inútil tentar alguém viver num claustro a sua vida,se o coração é devorado pelo pensamento de que ninguém o ama.

          É preciso ser capaz de não fazer caso de tudo isso e simplesmente amar o mundo inteiro em Deus abraçando todos os irmãos nesse mesmo amor puro.

         Dizer que a vida monástica e contemplativa é mais rigorosa do que a vida ativa, não é dizer que o contemplativo trabalha mais rigorosamente. A vida contemplativa é, sob muitos aspectos mais fácil do que a vida ativa. O que não é mais fácil é vive-la bem.

         A atração por certo tipo de vida e a aptidão para a mesma ainda não são suficientes para estabelecer a certeza da vocação.

         A coisa que resolve em definitivo uma vocação é a capacidade de tomar a firme decisão de abraçar  certo estado d vida e de agir segundo essa decisão.

        Se uma pessoa não consegue jamais se decidir, jamais se resolver a fazer o que é preciso para seguir uma vocação, não tem provavelmente vocação. Ela pode ter-lhe sido oferecida, mas isto é coisa que não pode decidir com certeza.

          Mas uma calma e definida decisão, que não desanima com os obstáculos nem se quebra ante a oposição é um bom sinal de que Deus deu a graça de responder ao Seu chamado  e que é correspondido!

 

(Homem algum é uma ilha – Thomas Merton)

 

   

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