A Oração

                                                                                     

           Uma das mais importantes funções da vida de oração é aprofundar, confirmar e desenvolver a consciência moral.

Há ná oração muitos níveis de atenção.  – Primeiro de tudo, existe a atenção puramente exterior, é quando dizemos oraçoes com os lábios, mas o coração não segue o que dizemos. – Em outras ocasiões pensamo em Deus ao rezar, mas os nossos pensamentos não tem nada a ver com a oração. São pensamentos sobre Deus, mas nenhum contato estabelecem com Ele. – Há, ainda, um outro plano em nossa oração, e é quando a consolação cede lugar ao medo. É uma área de sombra, de angustia e de conversão, pois aqui se opera uma grande mudança em nosso espírito.

     O homem que pode enfrentar tal aridez e desamparo por longo tempo,com grande paciência, e que nada mais pede a Deus senão fazer a sua vontade  jamais cairá em ofensa, entra finalmente na oração pura.

     Aqui a alma vai a Deus sem mais advertir seja a si mesma, seja a sua oração. Ela fala a Deus sem saber o que está dizendo, porque Deus mesmo lhe distraiu a mente das palavras e dos pensamentos.

     É por si mesma que nos vem essa profunda oração interior, isto é, pelo secreto movimento do Espírito de Deus, em todos os tempos e lugares, quer estejamos, quer não, a orar. Pode vir em pleno trabalho, no meio dos nossos afazeres quotidianos, à refeição, numa estrada deserta ou numa rua barulhenta, tanto à hora da missa, ou na igreja, como quando recitamos os salmos no coro.

       Tal oração, contudo, atrainos naturalmente à solidão interior, e mesmo a exterior.

       A oraçã pura, somente toma conta do nosso coração para sempre quando não mais desejamos qualquer luz especial, graça ou consolação para nós mesmos.

 

(Trecho do Livro: Homem Algum é uma Ilha de Thomas Merton)

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