Arquivo para janeiro, 2008

Mística x Misticismo

Posted in Formação on 21/01/2008 by Juliana

A mística nos torna mais próximos da imagem original pensada por Deus
As palavras são muito parecidas. Mas a atitude é completamente oposta. O místico é alguém que vive do encontro pessoal com Deus. É possível ver no seu olhar o brilho do céu. Seus gestos refletem o calor transfigurado de alguém que foi profundamente tocado pela Graça. Podemos dizer, então, que o místico é alguém “cheio de graça”. Misticos sabem sorrir, sabem brincar, sabem rezar e fazer silêncio. O místico repousa no colo de Deus. É criança sem ser infantil. Vive antecipadamente na terra o que um dia viveremos eternamente no céu. É alguém que sente saudades do paraíso original e sabe que caminha para lá…

Místico sonha de olhos abertos. Não nega a realidade ou coloca panos quentes. Não tem medo de olhar para a política ou para economia. Místico verdadeiro tem a Bíblia em uma das mãos e na outra um jornal. Se está alheio à realidade, pode crer, místico ele não é, pois o místico, como Moisés, está sempre diante da Sarça Ardente ouvindo Deus falar: “Eu ouvi o clamor do meu povo. Vai lutar por libertação”. O místico é crítico sem ser amargo. É consciente sem ser ranzinza. É severo sem ser rigorista. É uma pessoa equilibrada. A mística nos torna mais humanos, mais próximos da imagem original pensada por Deus. A mística, portanto, é um caminho de santidade.

E o misticismo? É o subproduto. Se a mística transforma as pessoas a partir de dentro, o misticismo, como toda imitação, veste apenas uma ‘camiseta’. Pode ser cristã, ou hindú, espírita, ou evangélica… não faz diferença. O misticismo topa tudo por dinheiro. É religião de mercado. Faz dos símbolos religiosos uma grife. O misticismo não tem compromisso. É apenas adereço pessoal externo. Os “misticóides” costumam ser um pouco ridículos. Exageram nos badulaques. Colocam três ou quatro tercinhos espalhados pelo corpo. Raramente se dão conta de que aquele objeto foi feito para rezar. O misticismo não reza… fica zen; não medita, entra em “alfa”; e por aí vai. O misticismo não conhece o bom humor. “Misticóides” são primos-irmãos de fundamentalistas. São um prato cheio para o terrorista que precisa de uma “mula” que leve a bomba grudada ao próprio corpo. Isso não é matírio. É burrice. Não é heroísmo, por mais justa que seja a causa. Somente Deus tem direito sobre a vida e a morte. Mas o misticismo não percebe nada disso.

Será que existe misticismo católico? Infelizmente, sim. A mística coloca homens e mulheres no cotidiano e faz deles santos. O dentista místico reza contemplando a boca de seu paciente… e pacientemente o atende bem. O misticismo não tem tempo para clientes. Só pensa em seu próprio crescimento. A mística nasce do amor. O misticismo é filho do egoísmo. A mística se apóia nas virtudes como fé, esperança e caridade. O misticismo espiritualiza os sete pecados capitais. É um guloso espiritual. Deixa a família para ir em todos os retiros da paróquia. É colecionador de crachás. Depois, por isso, se acha melhor do que os outros e peca pela soberba espiritual. A prece para o misticismo tem de ser gostosa. Não vai à missa ‘daquele padre velhinho’ na segunda-feira… tem que ser padre “forte”, reza brava… ou seja, busca luxúria espiritual. “Feijão com arroz” não serve. Tem que ser missa especial, adoração de cura, padre famoso e de preferência transmitido pela TV. Grupo de oração de paróquia nem pensar… Show com som bem alto é que é bom. Por pensar demais em si mesmo e no cultivo da SUA mística, o pseudo-místico é avarento. E se alguém escrever um artigo no BLOG dizendo essas coisas, ele vai escrever um comentário bem IRADO. Falta somente um pecado capital: A inveja.

É isso… como o misticismo está muito distante da mística, seus reféns acabam sentindo inveja dos verdadeiros santos. Um deles nem percebeu o ato falho e me disse: “-Padre, tenho tanta inveja de Santa Terezinha do Menino Jesus…” Durma com um barulho desses!

Foto Padre Joãozinho, SCJ
Padre do Sagrado Coração de Jesus (dehoniano), doutor em teologia, diretor da Faculdade Dehoniana em Taubaté (SP) e autor de vários livros e canções. Conheça o blog do Pe. Joãozinho

Sem Máscaras!!

Posted in Formação on 21/01/2008 by Juliana

“Não dá pra fugir desviar do teu olhar
A verdade que há em min
Não posso ocultar
Não posso mentir para sempre ou me enganar
Fingir e Ter que sorrir quando quero chorar
Pra ser feliz pra Ter valor
Tenho que ser quem eu sou

Sem máscaras no rosto
Sem máscaras no coração
Bom ou mau santo ou pecador
Estou aqui diante de ti” (Eros Biondini)
       

                                 

mascara.jpg Senhor como pode o ser humano, falar coisas tão lindas, e não vive-las?! Como posso eu, pregar aquilo que não vivo?!

       É preciso tirar a máscara que cobre o nosso rosto e esconde a nossa verdade!

      É preciso deixar vir a tona quem eu sou e o que eu sou!

      Não se pode mais viver iludindo as pessoas, pintando uma santidade que ainda não existe.

   É preciso deixar que Deus trabalhe na minha vida e atitudes, pintando em mim o reflexo da santidade do meu Criador, mas com verdade, sem máscara, sem medo se as pessoas vão gostar ou não do que sou!

“Não busco ser amada, e querida por todos” busco somente agradar a Deus, e a Deus só agrada a minha verdade, pois é a verdade que Ele próprio criou!

      Como pode alguém conseguir viver mascarando a realidade do que é? isso me apavora, pois é viver prisioneiro de si próprio, pois já não se é mais livre para agir, já que em tudo o que faço preciso preocupar-me com a imagem que passo para as pessoas, e assim acabo deixando de ser eu!!

     Basta! Chega de hipocrisia! É preciso sermos quem somos, do jeito que somos, pois só na nossa verdade é que Deus pode trabalhar!

    Precisamos tomar consciencia de que não devemos ter vergonha de admitir que erramos, que temos fraquezas, pois isso requer um ato de muita humildade, virtude esta, muito cara aos olhos de Deus!

   Todos erramos, mas nossas fraquezas são em pontos diferentes, porque minha fraqueza e minha qualidade te santificam e vice-versa, porque somos todos membros do mesmo corpo, que é a Igreja onde Cristo é a cabeça, e devemos todos trabalharmos para a santificação deste corpo!

Que Deus abençoe e lhe de forças para ser quem você é!!

Padres do Deserto

Posted in Padres do Deserto on 18/01/2008 by Juliana

 pd1.jpgIsto é o que disse Pai Daniel, o Faranita: “Nosso Pai Arsenius nos contou sobre um habitante de Scetis, de vida digna e fé simples; pela sua ingenuidade, ele foi enganado e disse, “O pão que recebemos não é verdadeiramente o Corpo de Cristo, mas um símbolo.

Dois anciãos souberam que ele dissera aquilo, conhecendo seu modo de vida correto acreditaram que ele não falara por malícia, mas por simplicidade.

Então, vieram a ele e disseram: “Pai, ouvimos da parte de alguém uma proposição contrária à fé, que disse que o pão que recebemos não é verdadeiramente o corpo de Cristo, mas um símbolo.

O ancião disse, “fui eu quem disse isso.” Então os outros dois o exortaram dizendo, “não mantenha essa crença, Pai, mas aquela em conformidade com o que a igreja Catolica nos deu. Acreditamos, de nossa parte, que o pão por si mesmo é o Corpo de Cristo, como no início, Deus formou o homem à sua imagem, tomando do pó da terra, sem que ninguém possa dizer que ele não é a imagem de Deus, mesmo que não pareça. Do mesmo modo, com o pão do qual ele disse, “este é meu corpo”, assim nós cremos que é verdadeiramente o Corpo de Cristo.

O ancião disse-lhes, “Enquanto eu não for convencido pela coisa em si, não estarei completamente convicto.” Então eles disseram, “Vamos rezar a Deus sobre este mistério por toda a semana e acreditamos que Deus vai nos revelar isto.”

O ancião ouviu isso com alegria e rezou nessas palavras, “Senhor, vós sabeis que não é por malícia que eu não creio, e, de maneira que eu não erre por ignorância, revele isto a mim, Senhor Jesus Cristo.”

Os dois homens voltaram a suas celas e rezaram também a Deus, dizendo, “Senhor Jesus Cristo, revele esse mistério a esse homem de modo que ele creia e não perca sua recompensa.”

Deus ouviu suas preces.

Ao final da semana eles vieram à igreja no domingo e se sentaram todos os três no mesmo tapete, o ancião no meio. Em seguida seus olhos se abriram e quando o pão foi colocado na mesa sagrada, aparecia-lhes uma criança pequena, sozinha.

E quando o sacerdote estendeu a mão para partir o pão, viram um anjo descer do céu com uma espada e servir o sangue da criança no cálice. Quando o padre partiu o pão em pedacinhos, o anjo também cortou a criança em pedaços. Quando se aproximaram para receber os sagrados elementos o ancião sozinho recebeu um pedaço da carne sangrenta. Vendo isto, ficou com medo e gritou, “Senhor, eu creio que isto é vosso corpo e este cálice vosso sangue.”

Imediatamente a carne que ele segurava em suas mãos se tornou pão, de acordo com o mistério e ele o tomou dando graças a Deus. Em seguida os dois homens lhe disseram, “Deus conhece a natureza humana e sabe que o homem não pode comer carne crua e é por isso que ele mudou seu corpo em pão e seu sangue em vinho, para aqueles que o recebem na fé. “Em seguida, deram graças a Deus pelo ancião, porque Ele não permitiu que o mesmo perdesse a recompensa pelo seu trabalho. Então, todos três retornaram com alegria para suas celas.”

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Fazei tudo com o coração

Posted in Formação on 08/01/2008 by Juliana

       O dom da santidade é universal, todos os batizados são chamados a santidade pelo sacramento do batismo.

       O dever de procurar a santidade não vem da vida consagrada, mas do próprio sacramento do batismo. Todos nós cristãos batizados temos esse dever , de buscar a santidade, em todos os sentidos da nossa vida.

   Às vezes há observancia externa perfeita, mas falta o espírito antes do fazer, por isso muitas vezes a virtude da caridade fraterna fica esquecida, para se poder observar a lei exterior.

    Parece exteriormente que fazemos tudo com zelo, com amor, por Jesus, em busca da santidade, mas no interior, lá onde nenhum ser humano é capaz de chegar, lá no fundo, ferimos a caridade, pois aprentamos por fora o que não vivemos, não sentimos por dentro.

     Quando Jesus fala em “orar sem cessar”, eu penso que Ele se refere a fazermos tudo com amor, a colocarmos nosso espírito em tudo o que fazemos, dessa forma nossa vida será uma oração, pois para tudo que fizermos daremos um sentido, não faremos simplesmente por fazer, ou por obrigação.

     Dessa forma estaremos progredindo na busca da santidade, no desejo de imitar a Cristo que disse:”Sede santos, porque Eu sou Santo” I Pedro 1,2.

      A santidade consiste em buscar a vontade de Deus, colocar a nossa alma em tudo o que fazemos, não somente por fora, no exterior, mas com o coração.

   Coloquem o Coração no que fazem!